no topo do obelisco da tek, o céu artificial simulava um pôr do sol em tons quentes e irreais. a plataforma do transportador já estava ativa.
era a hora.
elas iam embora.
iriam escapar da arka.
sem muito tempo pra pensar, os alarmes soam.
as luzes vermelhas giram. o campo do transportador se apaga.
vampiresca congela. não parece surpresa…
mas também não queria estar certa.
vampiresca:
como eles- ?! .... não.
não.
foi… você?
tereza:
eu…
eu não consegui.
tinha medo.
de perder tudo.
de me perder.
vampiresca dá um passo pra trás. o rosto desaba
vampiresca:
logo agora?
quando a gente ia sair?
você me deixou chegar até aqui…
me fez acreditar…
tereza:
eu tentei, tá?
tentei entender seu mundo.
tentei… ser como você.
vampiresca:
não precisava ser como eu.
só precisava não me trair.
tereza:
eu achei que tava te protegendo…
vampiresca:
protegendo?
você me vendeu.
você avisou a tek.
me entregou como se eu fosse um erro na sua vida.
eu só…
eu só vim até aqui porque acreditei que a gente podia ser algo.
e no fim
você só me usou pra fugir de você mesma.
ela tenta conter as lágrimas, mas elas escapam.
vampiresca:
e sabe o que dói mais?
é que por um momento
eu confiei.
de verdade.
eu acreditei que você era diferente.
tereza:
eu me importo, vampiresca.
sempre me importei.
vampiresca:
não se importa.
se importasse, estaria aqui do meu lado agora.
não do lado deles.
você escolheu sua zona de conforto.
sua função.
suas relações.
e isso, tereza…
não é amor.
tereza abaixa a cabeça, como se não tivesse mais argumento.
vampiresca:
você viu tudo.
tudo o que eles fazem.
e ainda assim…
ficou parada.
isso também é escolha.
tereza:
eu sou… feita disso.
da tek.
sou parte deles.
vampiresca:
eu sei.
e é por isso que você nunca vai me entender.
você nunca me entendeu.
você só me desejava.
mas amar?
amar exige coragem.
e você nunca teve.
tereza:
então é isso?
vampiresca:
é.
a gente teve algo bonito, talvez.
por um tempo.
mas agora, isso aqui é só mais uma cela.
e eu não vou morrer presa de novo.
não por você.
tereza:
eu sinto muito.
vampiresca:
eu também.
por confiar em você.
por achar que você podia me amar de verdade.
amar alguém que te machuca…
deixa cicatriz na alma.
você não vai se lembrar.
mas eu vou.
pra sempre.
tereza:
me perdoa?
vampiresca:
eu te perdoo.
mas isso não muda nada.
porque mudar por alguém é amor.
e você nunca me escolheu.
não de verdade.
ela respira fundo. os olhos ardem.
ela caminha até a borda da torre. o vento sopra forte.
ela vira o rosto pra trás, uma última vez.
vampiresca:
adeus, tereza.
ela salta.
mas não cai.
o sistema da tek rejeita sua presença.
a barreira anti-fuga se ativa, desintegrando vampiresca quase instantaneamente.
sem sangue.
sem corpo.
sem chance.
o mundo segue.
mas não o mesmo.
“não é todo amor que vale a dor.
e às vezes, sobreviver é escolher a si mesmo.”
— vampiresca, última humana livre